O papel da nutrição na cicatrização de feridas: a experiência clínica com CORRECTMax no atendimento domiciliar

No atendimento domiciliar, a nutrição desempenha um papel fundamental na recuperação de pacientes com feridas, influenciando diretamente o processo de cicatrização. Para entender melhor os desafios e estratégias nutricionais utilizadas na prática clínica, conversamos com a Nutricionista Priscila Moraes, que compartilha a sua experiência no acompanhamento desses pacientes e os resultados observados ao longo do tratamento.

Quer ouvir o conteúdo na íntegra? Dê o play abaixo e acompanhe a entrevista completa com a nutricionista Priscila direto no Spotify do Prodiet Science!

Confira a entrevista e saiba mais sobre a importância da nutrição na cicatrização de feridas!

1. No atendimento domiciliar, como é a atuação do nutricionista no acompanhamento de pacientes com feridas? Quais tipos de lesões você encontra com mais frequência?

No atendimento domiciliar, o nutricionista tem um papel essencial, mas muitas vezes só é chamado quando a ferida já está há um tempo sem evoluir bem. No começo, nem todos os pacientes com lesão eram encaminhados para mim, mas isso mudou porque a equipe percebeu que a nutrição faz diferença na cicatrização. Hoje, sempre que há um paciente com ferida, já me acionam, porque sabem que um suporte nutricional adequado acelera muito a recuperação.

As feridas mais comuns são as úlceras por pressão, especialmente em pacientes acamados, e as lesões crônicas em diabéticos. Também atendo muitos casos de feridas pós-cirúrgicas, principalmente quando a cicatrização não está evoluindo como deveria. Em todos esses casos, a nutrição entra como um fator determinante para o desfecho do tratamento.

2. De que forma o trabalho do nutricionista se integra ao acompanhamento multidisciplinar desses pacientes? Como a nutrição contribui para a recuperação das feridas?

O trabalho do nutricionista anda junto com o da enfermagem e da equipe médica. Quando um paciente tem uma ferida, ele precisa de um cuidado completo, que envolve tanto os curativos quanto a nutrição adequada. Se faltar algum nutriente essencial, a cicatrização pode ser mais lenta, e em alguns casos a ferida pode até cronificar.

Já acompanhei pacientes que faziam curativos sem seguir todos os cuidados adequados, mas que, mesmo assim, tiveram uma boa recuperação porque estavam com um suporte nutricional correto. Isso deixa claro que a nutrição tem um impacto real na regeneração do tecido. Se o organismo não tem os nutrientes certos, ele simplesmente não consegue fechar a ferida como deveria.

3. Quais aspectos são considerados na avaliação nutricional de um paciente com feridas? Como você acompanha a evolução do tratamento e avalia o impacto da nutrição na cicatrização?

Na avaliação nutricional, eu considero o histórico alimentar do paciente, o estado nutricional geral e, principalmente, os déficits que podem interferir na cicatrização. Muitos pacientes até comem quantidades adequadas, mas a qualidade da alimentação é insuficiente. Vejo muitos casos em que a ingestão proteica não é suficiente ou a dieta tem deficiência de micronutrientes essenciais, como selênio, zinco e vitaminas A, E e C. Isso impacta diretamente no tempo de recuperação da ferida.

O acompanhamento é feito de perto, observando a evolução da lesão ao longo das semanas. Quando conseguimos garantir que o paciente está recebendo os nutrientes certos, o processo de cicatrização acelera, e a diferença na recuperação fica evidente.

4. Na sua prática clínica, quais são os desafios mais comuns no manejo nutricional de pacientes com feridas? Existem fatores que podem dificultar ou retardar a cicatrização?

Um dos principais desafios é garantir que o paciente realmente receba todos os nutrientes necessários para a cicatrização. O baixo consumo alimentar pode ser um problema, principalmente em pacientes debilitados ou que passaram por longos períodos de internação. No entanto, mesmo quando conseguimos ajustar a ingestão calórica e proteica, isso não significa, necessariamente, que a alimentação tenha uma boa qualidade nutricional.

Muitos pacientes consomem quantidades adequadas de comida, mas a dieta é baseada em alimentos pobres em micronutrientes essenciais para a regeneração tecidual. Esse é um ponto crítico porque, para que a cicatrização ocorra de forma eficiente, não basta apenas atingir a recomendação proteica; o organismo precisa de sinalizadores específicos que estimulam e sustentam esse processo. Zinco, selênio, vitaminas A, C e E são exemplos de micronutrientes fundamentais, mas que dificilmente atingem os níveis ideais apenas com a alimentação convencional, principalmente porque a demanda está aumentada nessa fase.

Além disso, a adesão ao tratamento nutricional pode ser um obstáculo. Alguns pacientes não seguem as orientações por resistência ou por não compreenderem a importância da nutrição na cicatrização. Fora isso, condições clínicas como diabetes descompensado e processos inflamatórios persistentes podem retardar ainda mais a regeneração tecidual, tornando a intervenção nutricional um fator ainda mais determinante para um desfecho positivo.

5. Quais estratégias nutricionais você considera essenciais para otimizar a cicatrização de feridas? Quais nutrientes têm um papel fundamental nesse processo?

A principal estratégia é melhorar a qualidade da alimentação, garantindo um aporte adequado de proteínas e micronutrientes fundamentais para a regeneração tecidual. Os peptídeos bioativos de colágeno são um ótimo recurso porque têm boa absorção e ajudam na formação de novo tecido. A L-arginina também tem um papel essencial, pois melhora a circulação e facilita a chegada de oxigênio e nutrientes à ferida.

Além disso, o zinco, selênio e as vitaminas A, C e E são indispensáveis para o processo de cicatrização, pois atuam na regeneração celular e no fortalecimento da resposta imunológica. Como esses nutrientes nem sempre estão presentes na alimentação do paciente em quantidades suficientes, a suplementação se torna uma estratégia muito eficaz.

6. Em quais situações a suplementação nutricional se torna indispensável para o tratamento de feridas crônicas? Como ela se encaixa na sua conduta clínica?

A suplementação se torna essencial quando o paciente tem uma ferida grande e a alimentação sozinha não consegue suprir a necessidade aumentada de nutrientes. Isso acontece muito com pacientes de alta recente do hospital, que ainda estão comendo pouco, ou com aqueles que já estão há muito tempo com uma ferida sem cicatrizar.

Na minha conduta, costumo introduzir a suplementação sempre que vejo que a dieta não está sendo suficiente. Em casos mais graves, a suplementação já entra desde o início para garantir que a ferida não demore tanto a fechar. Além disso, opto sempre por fórmulas que tenham boa aceitação, porque não adianta prescrever algo que o paciente não vai conseguir tomar por muito tempo.

7. Quais são as dificuldades mais frequentes para garantir a adesão dos pacientes à suplementação? Como você busca contornar esses desafios para garantir um acompanhamento mais eficaz?

O primeiro desafio é o sabor. Muitos suplementos tradicionais são difíceis de tomar e os pacientes acabam enjoando. Já vi casos em que, depois de algumas semanas, eles simplesmente não conseguiam mais consumir. Além disso, tem a questão do esquecimento, que acontece bastante, principalmente com pacientes idosos.

O que ajuda muito na adesão é quando o suplemento tem um sabor agradável e uma apresentação prática. Suplemento em sachê, por exemplo, são mais fáceis de consumir e permitem ajustes de dose sem impactar na alimentação. Já tive pacientes tomando suplementação por meses sem reclamar, e isso faz toda a diferença no sucesso do tratamento.

8. Na sua experiência, como um suporte nutricional adequado pode influenciar o tempo de cicatrização e o risco de complicações? Você percebe diferenças significativas entre pacientes que recebem esse suporte e os que não recebem?

Sim, a diferença é enorme. Já tive pacientes com feridas muito grandes que, sem suporte nutricional, levaram cerca de seis meses para cicatrizar, isso quando não cronificam e não fecham. Com suplementação adequada, lesões com a mesma proporção conseguiram

fechar em dois a três meses. Isso é um ganho imenso, tanto para o paciente quanto para a equipe e a família.

Além do tempo de cicatrização, a suplementação reduz o risco de complicações, como infecções e dor persistente. Quando o suporte nutricional está bem ajustado, o paciente se recupera mais rápido, tem menos limitação funcional e volta à sua rotina muito antes do esperado.

9. Para outros profissionais que lidam com pacientes com feridas, que recomendações você daria para potencializar a recuperação nutricional desses casos?

Eu diria para não subestimarem o impacto da nutrição no tratamento de feridas. Às vezes, vemos muita atenção sendo dada aos curativos e às abordagens médicas, mas sem um suporte nutricional adequado, a recuperação será sempre mais lenta.

Também reforço a importância de escolher suplementos que permitam boa adesão, porque não adianta prescrever algo que o paciente não vai conseguir manter. Se a nutrição for bem conduzida e integrada ao tratamento, os resultados aparecem, o tempo de cicatrização reduz e o paciente tem um prognóstico muito melhor.

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